Da vantagem de ter inimigos

“Livros de auto-ajuda e similares são micro-tratados de moral aparente. E são tanto mais bem sucedidos quando, simulando novidade, dizem ou traduzem o que há muito deveríamos saber. Operam, assim, como condimentos, contra um fundo de vulgar sensaboria, diante do qual fingimos ser humanos.

Imaginemos um tópico aparentemente paradoxal, um que simule contrariar a opinião corrente apenas para, ao fim e ao cabo, reforçá-la. Com certeza, algum filósofo grego ou latino da ordem dos moralistas já enunciou (com mais brilho e sutileza) a tese paradoxal: é vantajoso ter inimigos.

Como não tenho erudição suficiente para remontar a essas fontes clássicas (no que certamente me equiparo aos escritores de livros de auto-ajuda), posso permitir-me algumas conseqüências óbvias ou reduzir-me a tais ilações, transformando o óbvio em um inútil manual de instruções para a vida.”
João Carlos Salles / Terra Magazine
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