Pinto estressor

“Sobre sociedades que se adaptam em cercados sob os véus dos dogmas e permanecem vulneráveis à inquietação das opiniões individuais.

Pode parecer ingênuo ou fabuloso falar sobre a influência de um simples pinto estressor num galinheiro comum, principalmente, se pretendermos traçar um paralelo com o comportamento dos homens em sociedades relativamente acomodadas e concluirmos pelas semelhanças encontradas nas reações estudadas. Mas a ocorrência de um pio estressado lançado num galinheiro pode ter conseqüências de proporções imprevisíveis e pressenti-las não é um sintoma de paranóia ou de outra psicopatologia.

Apesar da graciosidade da analogia, constatamos em vários momentos da nossa vida cotidiana, tipicamente humana e racional, a força dos pintos estressores na propagação da angústia e da rebeldia, a insurreição das demais “galinhas”, o tumulto no cercado e o restabelecimento da ordem com a penalização de alguns bodes expiatórios. Bodes? Não estávamos falando de galinhas, pintos e homens?”
Helena Sut / Carta Maior
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