A morte do peixe

“Todos somos reféns de incômodas contradições, seja por vício, paixão ou berço.

Todos somos reféns de incômodas contradições, seja por vício, paixão ou berço. Eu mesmo, assumido ecologista desde que fiquei em recuperação em Biologia na 7ª série; eu, defensor perpétuo de idílico rastro de Mata Atlântica no litoral paulista; eu, que reciclo meu lixo desde muito antes das coletas seletivas; eu, tão afeito à defesa do coletivo, sobremaneira da Natureza; sim, meu amigo, eu sou um aquarista!

Consegui! Confessei-me publicamente. Enfim, exposto diante desta minha nódoa, assumo este desvio de caráter! Aquarista! Zeloso, estudioso, dedicado, mas que mantém, sim, cativos e dependentes, em pequena jaula vítrea, alguns espécimes que sequer existem na Natureza, vítimas que são de cruzamentos de criadores a partir de já remotas matrizes de ciclídeos africanos dos lagos Tanganica e Vitória.”
Eduardo Carvalho / Carta Maior
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