“E de repente, não mais que de repente, o Brasil entrou na campanha eleitoral francesa, em função da prisão, aqui no Rio de Janeiro, de Cesare Battisti, um ex-integrante das Brigadas Vermelhas, movimento que data do final dos anos 60 e início dos 70, composto por jovens italianos das mais variadas origens que acreditavam na via armada como forma de acabar com o capitalismo.
São tempos remotos. Na maioria dos países virou-se a página da história. Na França, onde Battisti viveu algum tempo, o então presidente François Mitterrand se recusou a aceitar o pedido de extradição feito pelo governo italiano. Na Itália, ao contrário do que aconteceu em outros rincões, não houve anistia. Agora, Nicolas Sarkozy, o candidato da direita francesa, também Ministro do Interior, numa jogada para angariar votos deve ter preparado, juntamente com os italianos, uma armadilha para pegar Cesare Battisti no Brasil e conseguir mobilizar a mídia no sentido de se voltar a discutir um fato que se julgava já prescrito.”
Mário Augusto Jakobskind / Fazendo Media
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