O que a obstrução também traz

“Falar mal da política é um dos passatempos prediletos do brasileiro comum, aquele que vive de salário, que tem pouco dinheiro para pagar muitas contas e que sempre tem que colocar mais água no feijão. Mas temos que reconhecer que a atual legislatura, que ainda não tem nem dois meses de existência, é uma das mais esforçadas que já apareceram nos últimos trinta anos.

Tudo bem que ela, como toda e qualquer outra legislatura, tem lá os seus incontáveis vícios. Contudo, esta é diferente na vontade, no desejo de acertar, de mostrar que a palavra de ordem agora é o trabalho incessante, para que os obstáculos ao nosso progresso sejam, um a um, removidos. E tudo, obviamente, no maior dos espíritos democráticos.

O próprio presidente da Câmara, deputado Arlindo Chinaglia (PT-SP), tem conduzido um ritmo de votações poucas vezes (para não dizer nunca) visto. Com Chinaglia na presidência da Câmara, a semana parlamentar para os deputados não tem mais apenas três dias. Agora, a semana de trabalho dos deputados tem quatro.

O petista só não conseguiu fazer com que a sexta-feira tenha trabalho no Congresso porque isso já seria sobre-humano. Sexta-feira é um dia especial demais para que tenha votações no Congresso, para que seja perdido em batalhas políticas que podem esperar pela próxima terça.
Rodolfo Torres / Congresso em Foco
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