O Ponto G e o QiQi

“Não sei por que tanta celeuma sobre a espontaneidade do nosso presidente em revelar que "todos gostam de sexo" e que as relações com os Estados Unidos esperam o Ponto G. Os que censuram estas franquezas lembrem-se da história do Brasil começando no texto de Pero Vaz de Caminha, a famosa Carta, onde ele descreve as índias nuas e vai logo dizendo que elas "nem fazem caso de encobrir suas vergonhas (…) tão altas e cerradinhas". Nem esconde que todo mundo não queria outra coisa senão ver as maravilhas, que "nós muito bem olhávamos", como confessa.

E a coisa não fica aí só entre os leigos. Eduardo Bueno, ao falar dos primórdios da Bahia de 1500, sustenta o quanto "o estímulo sexual era grande: As nativas circulavam pela cidade peladas e depiladas". E nosso candidato a santo, padre José de Anchieta, notava que "não sabem negar-se a ninguém, mas até elas mesmas cometem e importunam os homens, jogando-se nas redes, porque têm por honra dormir com os cristãos". E o padre Nóbrega - que segundo o poeta cantador paraibano José Limeira, é "Nobréga" - pedia que as mulheres usassem ao menos uma camisa "porque não era honesto entrarem na igreja nuas, quando as ensinamos", isto é, na missa.”
Senador José Sarney / Jornal do Brasil
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