“A "reivindicação" da redução da maioridade penal sempre retorna à pauta da imprensa de grande alcance. E a cobertura da imprensa é bastante triste, quase tão triste quanto os últimos acontecimentos. A vida de um ser humano é algo extremamente valioso, único, algo que os parentes das vítimas entendem bem. Quem parece não entender isso são as pessoas que compõem parte do sistema midiático contemporâneo.
De que forma a descrição contínua e irracional de que "o menino foi arrastado por 7 quilômetros e 4 bairros até a morte" ajuda na compreensão do que aconteceu? Perceba que esta é a grande frase da imprensa. Não é uma sentença do tipo "precisamos repensar o peso que damos à vida" ou algo parecido. Não podemos dizer que inexistem reflexões desse tipo, mas não é esse o tom da cobertura.
Logo após o acontecimento, importantes telejornais começaram a destacar diversos crimes em que jovens menores estavam envolvidos. A ênfase era sempre no fato de que um dos envolvidos em um crime tinha menos de 18 anos. Dentro desta linha de pensamento, a maioridade penal seria decorrência de uma incoerência do Código Penal. Neste momento, poucos registram - não me recordo de nenhum jornal, rádio ou TV - estatísticas sobre quantas crianças estão fora das escolas por falta de vagas ou sem moradia adequada. Não tentam esclarecer como funciona uma escola ou como os professores se relacionam com a comunidade ou com os pais. Nada disso é pauta. Relações muito mais absurdas, como a idade de um adolescente infrator, são destaque nas primeiras páginas.”
Gustavo Barreto / Adital
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