“Violência física e verbal contra professores, funcionários e estudantes. Baixos salários e, conseqüentemente, jornada de trabalho duplicada. Salas de aula superlotadas e más condições de higiene. É sob essas condições que o professorado do ensino público brasileiro tem exercido seu ofício. Em função desse quadro adverso, doenças como estresse, depressão, síndrome do pânico e de burnout - quando o profissional, motivado pela estafa física e mental, desenvolve uma relação apática com o ofício - têm atingido um número cada vez maior de professores.
Segundo um levantamento realizado pelo Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (Apeoesp), na rede pública paulista, 46% dos professores sofrem de estresse. A Unesco aponta que 30% dos afastamentos em escolas da rede pública no Brasil são motivados pela violência. O órgão das Nações Unidas também revela que, no Brasil, os professores têm o pior salário, quando comparado a 32 países de economia equivalente.
Para o presidente da Apeoesp, Carlos Ramiro, a saúde mental dos professores tem sido afetada pelas condições que o governo estadual, controlado pelo PSDB desde 1994, tem imposto à categoria. O piso salarial dos professores da ativa do Estado de São Paulo, o mais rico da federação, é de R$ 668, com as gratificações, que não são concedidas aos aposentados, o valor chega a R$ 930. A Apeoesp reivindica como piso o salário mínimo do Dieese (R$ 1565, em janeiro deste ano). Para calcular o valor, o Dieese se baseia na Constituição, que em seu artigo 7º do capítulo II, determina que o salário mínimo concedido ao trabalhador seja "capaz de atender às suas necessidades básicas e vitais e às de sua família".
Brasil de Fato
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