“A reforma do Ministério pode sair antes do que se espera – talvez já no início da próxima semana - e acabar não se constituindo numa agenda tão negativa assim diante da opinião pública. O endurecimento do Planalto com os partidos nos últimos dias, levando o PMDB a abrir mão da Saúde e o PT a recuar na indicação de Marta Suplicy especificamente para as Cidades, pode acabar preservando essas pastas de interferências políticas explícitas, passando ao distinto público um sinal de que, afinal, o governo não se rendeu à sanha dos políticos. Se as coisas continuarem caminhando no rumo em que estão, Lula sai da reforma no lucro, pelo menos em termos de imagem.
O que não quer dizer, porém, que do ponto de vista político o balanço seja tão positivo assim. A demora nas decisões, a negociação arrastada, as demonstrações do PT de que pouco ou nada aprendeu com a crise e, sobretudo, a velha divisão interna do PMDB – que apenas os ingênuos acreditavam ter sido superada - vão dar o tom das seqüelas.
Está certo, Lula conseguiu livrar a Saúde de um ministro deputado que poderia fazer sabe-se lá o que com o orçamento bilionário de uma das mais importantes áreas do governo. Vai botar lá o técnico José Gomes Temporão, que tem tudo para fazer um bom trabalho. Um gol não só de marketing, mas sobretudo do ponto de vista administrativo. Do outro lado da balança, o político, porém, podem sobrar dificuldades com a bancada do PMDB na Câmara. Afinal, os deputados se expuseram, indicaram nomes da bancada que foram rejeitados pelo presidente e ficaram a ver navios.”
Helena Chagas / Carta Congresso
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