Estricnina

“Uma pessoa apaixonada é sempre traiçoeira. É a primeira a sabotar os alertas das pessoas próximas e os sinais vermelhos que o instinto de preservação acende diante da constatação das inverdades do ser idealizado.

Abro o jornal de quinta-feira (15/03/2007) e passo os olhos pelas manchetes. O título “Mulher morre após fazer pacto de morte com o namorado” me chama atenção e inconscientemente traço um paralelo com a obra do dramaturgo William Shakespeare: Romeu e Julieta. Imagino dois jovens descobrindo o amor, lutando contra as intempéries cotidianas... O romantismo à beira do desespero e a morte como o desfecho da trama. Percorro o artigo e, logo nas primeiras informações, desfaço as analogias poéticas e ergo as cruéis realidades da modernidade.”
Helena Sut / Carta Maior
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