“Morreu nesta tarde Dom Ivo Lorscheiter, um bispo que peitou o poder. O poder do Vaticano, por não alinhar com propostas do Papa João Paulo II e defender maior participação dos cristãos nas decisões da Igreja. E o poder político por lutar contra a ditadura a ditadura desde antes da sua posse como presidente da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), em 1979.
O descendente de alemães nascido em 1927 em São José do Hortêncio, Rio Grande do Sul, foi secretário-geral da CNBB de 1971 até 1979. Na maior parte deste período, a Presidência da instituição era de seu primo, Dom Aloísio Lorscheider (a diferença no nome, com "t" e com "d", se deve a erro de cartório).
E foi neste período que se organizaram e ganharam força as Comunidades Eclesiais de Base (CEBs), que incluíram consciência política e social ao modo de agir da igreja. Eram anos duros, e Dom Ivo, ao lado de seu primo e de Dom Hélder Câmara (fundador da CNBB, em 1952), foi um expoente desse cristianismo combativo. E talvez o último grande nome da Igreja no Brasil que não tinha vergonha se colocar ao lado oposto dos "padres cantores".
Karen Cunsolo / Terra Magazine
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