De volta para casa

“Relato de uma experiência em Justiça Restaurativa, que se confirma como alternativa concreta nas práticas processuais do Juizado da Infância e Juventude de Porto Alegre.

Pelo vidro espelhado da sala de audiências do Juizado da Infância e da Juventude, a jovem vítima reconhece os menores acusados e acrescenta “ah, sim, esse da direita pegava ônibus comigo para ir à escola”.

Semelhante ao que diria a seguir a sua mãe, também vítima do assalto à mão armada na residência da família: “Somos vizinhos a vida toda. A mãe daquele ali pegava o ônibus uma parada depois de mim. Nós já nos encontramos ali no corredor. Quando ele era bebê eu levava ele no colo quando o ônibus lotava e a mãe dele tinha que viajar em pé. Levei muito ele no colo, Doutor...”

Na medida em que a instrução avança os fragmentos das falas vão compondo um nítido mosaico na mente do Juiz.

Era uma noite qualquer, no meio de semana, quando o loteamento da Cohab foi agitado por sirenes e a casa de classe média cercada por viaturas e policiais militares. Em firme investida, policiais especializados invadiram a moradia, libertaram as vítimas – mãe, viúva de 52 anos, a filha, uma jovem mãe solteira, de 21 anos, com um bebê de 8 meses - e renderam os três assaltantes...”
Juiz Leoberto Brancher / Jornal de Debates
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