Da série “nunca antes”: Lula impõe seu Ministério aos aliados

“O presidente Luliz Inácio Lula da Silva está a ponto de concluir uma proeza política. Na próxima semana, ele vai anunciar um ministério para o segundo mandato com a "cara do chefe" e o mínimo indispensável de concessões aos partidos da base aliada. Digam o que disserem, não é a nossa tradição.

Em sua monumental reportagem sobre a ditadura militar no Brasil, o jornalista Elio Gaspari anota que o general Ernesto Geisel analisou 124 nomes em 67 dias para montar sua equipe. Acabou tendo de nomear dois ministros que não queria e dois que sequer conhecia, tendo de deixar ao relento um companheiro de armas que ele tentou, sem sucesso, encaixar em três pastas diferentes.

Levando-se em conta que em 1973 a base política da ditadura resumia-se ao alto comando das Forças Armadas e aos capatazes da Arena, nessa ordem, é surpreendente que Lula consiga impor seus próprios critérios a uma coalizão de 11 partidos políticos, um dos quais, o PT, é uma hidra de sete tendências.

Lula espancou as pretensões do PT de ganhar mais espaço. De quebra, afastará o partido e suas disputas internas da coordenação política, deslocando Walfrido Mares Guia para o lugar de Tarso Genro. De petistas no Planalto, bastam o próprio Lula, Dilma Roussef e Luiz Dulci, sem projeto eleitoral.”
Ricardo Amaral (interino) / Franklin Martins
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