D. João, afinal, não era bufão

“Quase 200 anos depois da chegada da família real portuguesa ao Rio de Janeiro, a figura de dom João – que ainda não era VI – passa por reavaliação

Uma comédia de costumes ou um drama? Nenhum dos dois. À revisão histórica cabe despir os episódios do extraordinário que pode levá-los ao exagero ou a caricaturas. É o que acontece com algumas interpretações sobre a vinda da família real portuguesa para o Brasil, há quase 200 anos, dom João e dona Carlota Joaquina à frente. Para o escritor e pesquisador australiano Patrick Wilken, que se debruçou sobre o tema no livro Império à deriva (Objetiva), “há, de fato, uma tendência generalizada para a caricatura”. Segundo ele, “o episódio é visto como motor de um acontecimento mais importante, a Independência. E como este se sobrepõe, muitos não vêm esse período seriamente”. O bicentenário da chegada da corte portuguesa ao Brasil começa a ser comemorado este ano, mas a data será arredondada, de fato, no dia 8 de março do ano que vem. O período joanino durou 13 anos e marcou definitivamente o Brasil e, em especial, o Rio de Janeiro – à época, um imenso terreiro povoado majoritariamente por negros. Foi um baque violento de ambos os lados: a rica elite européia e a comunidade escrava teriam que conviver, apesar da erosão cultural entre elas.”
Eliane Lobato / ISTOÉ
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