A Corte e as Nações

"Todas as previsões, liberais ou marxistas, do fim dos estados ou das economias nacionais, ou mesmo da formação de algum tipo de federação cosmopolita e pacífica, são utopias, com toda a dignidade das utopias que partem de argumentos éticos e expectativas generosas, mas são idéias ou projetos que não tem apoio objetivo na análise da história e da lógica do Sistema Mundial"
J.L.F., "O Poder Americano", Editora Vozes, Petrópolis, p: 57, 2004

Na década de 80, falou-se da "retomada da hegemonia americana"; nos anos 90, falou-se da globalização e da vitória liberal; e depois de 2001, falou-se de império, e guerra global ao terrorismo. E durante todo este tempo, o poder americano cresceu de forma contínua e incontrastável. Mas de repente, tudo mudou, de forma surpreendente, criando um nevoeiro sobre a conjuntura internacional.

Mesmo nos Estados Unidos, hoje existe um sentimento de impasse e perplexidade, porque 15 anos depois do fim da Guerra Fria, suas intervenções militares não expandiram a democracia nem os mercados livres; suas guerras aéreas não foram suficientes, sem a conquista e ocupação dos territórios bombardeados; e mesmo quando houve vitória militar não deram conta do controle territorial e da reconstrução nacional dos países derrotados.

Hoje, ninguém mais acredita na possibilidade de uma vitória no Iraque, no Afeganistão ou na "guerra global" ao terrorismo. Mas não existe, neste momento, dentro dos Estados Unidos uma alternativa clara de política externa capaz de mudar o rumo da conjuntura internacional, cada vez mais assustadora.”
José Luis Fiori / Brasil de Fato
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