Para Revoluções Futuras

“Na vida de recém-formada tipicamente sem recursos, aceitei a proposta de uma editora, que me pareceu genial: eu esperaria livros chegarem por conta própria até minha casa, leria (por trabalho, como se já não fosse um prazer), emitiria opiniões e ainda seria paga por tudo isso. Quando o primeiro pacote chegou, fui surpreendida pela imagem de uma multidão vermelha, com braços erguidos e punhos cerrados. No alto da capa, o retrato 3x4 de uma chinesinha.

“My name is number 4”, de Ting-Xing Ye, é a autobiografia da quarta filha do dono de uma fábrica de sapatos em Shangai. Logo concluí: literatura anti-comunista. Não tenho partido, escola de samba ou time de futebol. Não sou nem nunca fui, portanto, comunista. Mas sei qual o meu lado no mundo, e soube antes de completar 10 anos de idade, quando na escola me explicaram, em poucas palavras, a diferença entre capitalismo e comunismo.”
Carla Marques / Direto da Redação

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