“O Carnaval da Bahia acabou. Tempo atrás, brincávamos no meio da rua, da avenida, da praça. Foi quando Caetano Veloso e Moraes Moreira fizeram as suas belas composições poético-carnavalescas. De "Atrás do Trio Elétrico" a "Chuva, Suor e Cerveja". De "Balança o Chão da Praça" a "Eu Sou o Carnaval". Mas as coisas mudaram. Muito.
O Carnaval da Bahia, antigamente, se distinguia pela folia. Pela dança. Pela participação de todos os foliões, em todos os espaços da cidade. Falávamos de "carnaval-participação". Foi o que acabou. Hoje, sem uma definição própria mais densa e mais criativa, o Carnaval baiano está esprimido. Não é mais carnaval-participação, que hoje acontece maravilhosamente na velha Olinda da Nova Lusitânia, a capitania de Duarte Coelho, nosso primeiro reinado do açúcar, entre farras e frevos. Nem é, ainda, um carnaval-espetáculo, como o que é feito pelas escolas de samba no Rio de Janeiro.”
Antonio Risério / Terra Magazine
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