“Lula resolveu deixar para a volta das férias, lá para dia 15, a conversa olhos nos olhos que pretende ter com Aldo Rebelo e Arlindo Chinaglia para convencer um deles a desistir da disputa pela presidência da Câmara. Mas está recebendo conselhos para antecipá-la para as próximas horas ou, pelo menos, para fazer uma prévia ainda esta semana. O temor de muita gente próxima do Planalto é de que, em dez ou quinze dias, a coisa degringole de vez. As seqüelas seriam tantas que, ainda que o governo entrasse no plenário com um só candidato, a coalizão governista sairia de lá rachada. Um mau começo político para o segundo mandato.
O presidente, que inicialmente achou que as coisas poderiam se ajeitar por si mesmas e esperou tempo demais, só teve idéia real da gravidade da situação ao ser procurado por Aldo Rebelo na semana passada. O habitualmente comedido presidente da Câmara vem se mostrando um político obstinado, disposto a ir até o fim, no papel de representante das forças aliadas (sobretudo de esquerda) do governo de coalizão e sob o discurso da pacificação da Casa – que apenas ele, com o apoio dos partidos de oposição, poderia promover.
- Você sabe que, por mim, essa questão já estaria resolvida há tempos. A seu favor – disse Lula ao presidente da Câmara na conversa no Planalto.”
Helena Chagas / Carta Congresso

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