O Palco não cheira a talco

“A cena montada pela grande mídia em torno dos atuais acontecimentos relacionados aos atrasos e cancelamentos de vôos nos aeroportos brasileiros me fizeram refletir.

Hoje pela manhã, no jornal de uma grande TV, me vi diante de uma tragédia shakespeareana tamanha a dramaticidade ensaiada e executada pelos seus apresentadores. Não que as pessoas vitimadas por tais fatos não mereçam respeito, mas o que tem por trás do bombardeio televisivo dos últimos dias é que me intriga.

O problema do tráfego aéreo brasileiro vinha apresentando "fissuras" há muitos anos e só agora, após a maior tragédia aérea do país, é que a coisa rompeu de vez. Sabe-se pela imprensa que os controladores de vôo suportam no máximo o monitoramento de 14 aeronaves. A realidade de muito tempo é de controladores estressados tendo que controlar mais de 20 aeronaves de uma só vez. Deu no que deu, ao menos suspeita-se de falha humana no acidente de setembro. Os controladores, a partir do ocorrido, resolveram cumprir o manual e limitaram-se ao máximo de 14 aeronaves por controlador. Daí os atrasos e cancelamentos. Um grande problema sem dúvida, mas que já vinha sendo alertado e que, certamente, será resolvido pelas autoridades competentes.”
Por Paulo Rubini, colaborador / Direto da Redação

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