O Fio da História

Não é propriamente o “mapa da mina”, a afirmação que o sistema capitalista estabeleceu com seus mecanismos característicos o controle do tempo através do relógio.

A vida anteriormente a este processo seguia um ritmo que pulsava em sintonia com a natureza e as necessidades de cada individuo, o que não pressupõe a ausência de conflitos. Em outros termos, “os ponteiros do relógio” vieram para submeter o homem aos rigores de um trabalho que deveria atender a crescente demanda do mercado consumidor. Era preciso produzir mais e mais e, de tal forma as fronteiras do tempo tiveram de se adequar às transformações. (...) A burguesia emergente teve o mérito de firmar os seus valores como universais e, portanto inquestionáveis.

O amor, as relações familiares, o sexo, a religião, a beleza, o tesão, a morte, a política, a ética, enfim, todas as instâncias da vida do homem a partir de então tem um único molde; um único caminho viável.

Mas, como a História não é imobilista. (...) Os homens criaram e gozaram com intenso prazer, rompendo as determinações e parâmetros pré-estabelecidos.

Entrementes, naquilo que nos toca me parece, que não conseguimos “quebrar os grilhões”, que fazem do tempo da vida um fio contínuo e, redundantemente linear. E essa é uma perspectiva fundamental tendo em vista a qualidade daquilo que almejamos “edificar”. Os problemas imediatos afligem e mobilizam tão contundentemente que os pontos cruciais passam batidos. Faz-se necessário avançar discussões e, encaminha-las com a coragem suficiente para propor mudanças estruturais.

Acredito que carecemos de visualizar o tempo como algo maior que a tríade: principio, meio e fim. A história que é vida, do humano, do subjetivo, é uma estrada que se trilha com prazer (e se perde nos atalhos) e intensidade latejando nas veias, na sensibilidade que resgata o olhar que vê com a emoção.
Por Adriana Catelli

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