No contexto da manipulação da informação

O Globo voltou a dar ar de sua graça. Manipulador como sempre, o jornal carioca estampou em manchete, na edição de domingo (19/11), que a "Petrobras favorece ONGs ligadas ao PT com patrocínio". Repórteres ditos "investigativos" foram postos para "decifrar o enigma", enigma este que não depende de nenhuma investigação propriamente dita, como dá a entender o jornalão da Rua Irineu Marinho. Basta consultar o site da Petrobras para verificar que o patrocínio da empresa às entidades que atuam na área social vem sendo uma rotina.

Em um só momento o jornal coloca em questão o motivo pelo qual o Estado brasileiro deixou uma lacuna, retirando-se da ação nas áreas sociais. Por isso, as ONGs ocuparam o espaço. A Petrobras não deve ser criticada ou questionada por "patrocinar" ONGs que agem na área social, mas sim a política econômica neoliberal. Esta é a chave da questão. Mas, aí, O Globo não entra, pois estaria se contradizendo em termos do que sempre fez, ou seja, a defesa do Estado mínimo. Preferem os editores maquiar o fato com uma reportagem pretensamente "investigativa".

No dia seguinte à "reportagem investigativa", a direita mais à direita do espectro político brasileiro, o PFL, sai em campo e ameaça investigar o patrocínio da Petrobras com uma CPI. Isto é, assim caminha a manipulação da informação que surge no horizonte com o visível intuito de enganar os incautos e fazer o jogo pode-se imaginar de quem.
Mário Augusto Jakobskind / Observatório da Imprensa

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