Fantasmas ainda rondam

“Um relato sumário do golpe militar de 64 e seus espectrais reflexos na orquestração da mídia brasileira, 42 anos depois, na tentativa de apear do poder um presidente eleito democraticamente.

Caro arqueólogo do futuro,

Fico feliz que tenha encontrado essa carta e espero que a mensagem contida nela não se perca. Envio-a do século XXI, do fim da primavera de 2006. Como sou historiadora, recuarei um pouco no tempo, para melhor te explicar o meu tempo presente. Vou deixar indícios e vestígios dos anos 60/70 do século XX e dos dias que ora vivemos.

No ano de 1964, o Brasil sofreu um golpe civil-militar, é isso mesmo querido arqueólogo, os militares não estavam sozinhos, parcelas significativas da sociedade brasileira apoiaram e clamaram pelo golpe que derrubou o presidente João Goulart eleito pelo voto direto. Os motivos, dentre tantos alegados: a corrupção e a subversão. Os donos do poder, afastada a subversão, moralizariam o país e promoveriam o desenvolvimento com segurança, o Brasil não seria mais o país do futuro, como até então se afirmava, naquele momento, caro arqueólogo do futuro, o futuro havia chegado.”
Wilma Antunes Maciel / Carta Maior

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