Crise? Que crise?

“É preciso qualificar a crise aérea. Há algo acontecendo no país que nossas medições tradicionais, como o PIB e até mesmo a renda per capita não conseguem captar. Temos de revê-las.

Viajar de avião no fim de ano sempre foi tumultuado. Mas desta vez a dose foi muito alta, e fez a temperatura das acusações contra o governo na mídia e fora dela subir bastante.

Mas é preciso qualificar a crise. Quem entrou em crise, na verdade, foi sobretudo uma companhia, a TAM. Comentários extra-oficiais de gente do ramo (agências de viagem) dizem que companhias aéreas trabalham nesta época do ano com um overbooking (venda de passagens acima do número de assentos) de até 30%, confiando nos não-comparecimentos que se acumulam e em que darão conta dos casos restantes com reacomodações e em alguns casos com ofertas de compensações e vantagens, como passagens-brinde e assemelhados.

Ocorre que neste fim de ano isto não funcionou. Alem das questões específicas do trafego aéreo, é preciso aprofundar a visão das causas que levaram a esta situação esdrúxula. Da parte do governo, se descuido houve, ele se deu lá atrás, ao não avaliar corretamente o impacto que a crise da Varig teria no sistema brasileiro de vôos, com a retirada de circulação de muitos de seus aviões. Isso também sobrecarregou os demais aviões das outras companhias, exigindo mais manutenções.”
Flávio Aguiar / Carta Maior

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