“Volto à Babel para dialogar com os leitores. Tenho a convicção de que foi muito profundo o estrago dos últimos desmandos do PT na cultura política brasileira. Mas isso não justifica os desmandos da imprensa, como permitir que denúncias assumam características de linchamento.
Estou de volta à nossa Babel para dialogar com a enxurrada de reações ao artigo “A babel é aqui”, não com o objetivo de ter a última palavra, e sim em consideração aos leitores. A enxurrada começou com uma série de intervenções favoráveis, contra apenas uma antagônica. Depois, claramente em resposta, surgiram muitos comentários desfavoráveis, alguns hostis. É quando a leitora Sonia Bulhões exclama: “Nossa! Parece que a direitosa em peso descobriu a Carta Maior...” Numa terceira etapa, nova leva de comentários favoráveis.
É como se a internet tivesse se tornado palco de um duelo entre “Direita” e “Esquerda”, para ficar nessa classificação sabidamente rudimentar. Isso significa que, ao contrário da tese do artigo, está havendo diálogo? Não me parece. Está menos para diálogo e mais para um Flá-Flu, como diz o leitor que preferiu se chamar apenas de If. Na minha opinião, ele matou a charada ao dizer que “os torcedores neste Flá-Flu sentem vergonha de refletir e concordar , mesmo que com partes de um texto, se o conjunto do texto dispara algum alarme de oposição ao seu credo político...”
Bernardo Kucinski / Carta Maior

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