22 novembro 2014

Charge do Bessinha


2014, o ano que não deveria ter existido

Todos torceram contra a Copa, mas a única derrota foi a que sofremos da Alemanha, a campeã
'2014 não deveria ter começado e talvez nunca acabe. Mas 2015 já começou. E vem a jato. Aliás, Lava Jato. A direita vai continuar presa ao passado, querendo fazer o relógio da história andar para trás

Flávio Aguiar, RBA

Este foi um dos piores anos da minha vida. Só há paralelos no ano do golpe, em 1964, ou no período que vai de 1972 a 1974. Assim mesmo, do ponto de vista pessoal, houve diferenças signifcativas. Em 64 acabei saindo do país e passando um ano nos Estados Unidos. Entre 72 e 74 tornei-me pai. Foram vetores para o futuro. Em 1965, voltei ao Brasil tendo me tornado um pacifista convicto. Nosso país mergulhava na sombra, mas os Estados Unidos (!) vibravam com as primeiras manifestações contra a guerra do Vietnã, Martin Luther King...

Em 1973, a paternidade me deu alento para seguir até 74, quando a ditadura começou a se esvair. Nossa ditadura não caiu: saiu pelo ralo, deixando feridas abertas, além das cicatrizes indeléveis.

Já em 2014 foi diferente – embora, como em 64, eu estivesse vivendo no exterior.

60 anos depois, cerco a Dilma lembra Getúlio


Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

"Se a presidente Dilma Rousseff já terminou de ler o último volume da trilogia de Lira Neto sobre Getúlio Vargas, editado pela Companhia das Letras, deve ter bons motivos para ficar preocupada nesta entressafra entre o seu primeiro e o segundo governo.

Talvez isso explique a indecisão dela para anunciar os integrantes da nova equipe econômica, como demonstrou a dança de nomes cogitados para o Ministério da Fazenda nesta semana que chega ao fim, mantendo o suspense no ar.

Era este o livro que a presidente carregava na mão ao descer do helicóptero no Alvorada, quando retornou a Brasília, depois de alguns dias de folga numa praia da Bahia, logo após sua vitória apertada na eleição de 26 outubro.

Operação abafa está varrendo petrolão tucano para debaixo do tapete

"As investigações da operação Lava Jato são só para petistas e, no máximo, para os peemedebistas. Para tucanos, impera a Operação Abafa. 

Antonio Lassance, Carta Maior

Primeiro, foi o mensalão. Agora, é o "petrolão". Em ambos os casos, o esquema de desvio de dinheiro público foi inventado desde o governo tucano de FHC - pelo menos -, mas só descoberto quando vieram os petistas.

Estamos aguardando Aécio Neves, que além de Senador é agora comentarista político do Jornal Nacional, aparecer no estúdio para confessar que continua com a ideia fixa de que tudo o que o PT fez e ampliou começou com FHC.

Há gente muito otimista quanto ao desfecho do atual escândalo, na linha de que não sobrará pedra sobre pedra e que todos serão tratados igualmente pela Polícia Federal do Paraná, pelo Ministério Público e pela Justiça.

Dilma desmoraliza Veja. De novo


"Dilma já processou Veja por fraude eleitoral.

Paulo Henrique Amorim, Conversa Afiada

O Conversa Afiada reproduz nota da Presidência da República:



NOTA À IMPRENSA


A reportagem de capa da revista Veja de hoje é mais um episódio de manipulação jornalística que marca a publicação nos últimos anos.

Depois de tentar interferir no resultado das eleições presidenciais, numa operação condenada pela Justiça eleitoral, Veja tenta enganar seus leitores ao insinuar que, em 2009, já se sabia dos desvios praticados pelo senhor Paulo Roberto Costa, diretor da Petrobras demitido em março de 2012 pelo governo da presidenta Dilma.

As práticas ilegais do senhor Paulo Roberto Costa só vieram a público em 2014, graças às investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público.

STF: Barroso e Fux podem desmoralizar Lava Jato

"O Supremo tem a responsabilidade de demonstrar que vai revirar todas as pedras. Todas !​

Paulo Henrique Amorim, Conversa Afiada

A Lava Jato começa a sair de seu leito original – as delações seletivas da PF do zé, dos delegados  aecistas, e do queijo suíço em que se transforma a Vara do Dr Moro.

Era a Lava Jato para detonar a Dilma e eleger o Aécio Never.

Como disse o Procurador Janot, era tudo campanha eleitoral.

(Com a leniência do zé da Justiça.)

Com o andar da carruagem, a investigação chegou – por conta de Lei do Governo Dilma – aos corruptores e, pela primeira vez, há empreiteiros na cadeia.

O que devia acontecer desde o impeachment do Presidente Collor e toda a gestão tucana, de FHC ao trensalão de São Paulo.

Mas, não aconteceu.

Acontece agora.

Charge do Bessinha


Trio deve ser confirmado na 5a. feira


"Governo decide aguardar pela mudança na LDO para confirmar nomeação de Nelson Barbosa, Alexandre Tombini e Joaquim Levy como triunvirato que vai comandar economia ao lado de Dilma 

Paulo Moreira Leite, Blog:  Paulo Moreira Leite

A julgar por relatos que chegaram ao Brasil 247, o cancelamento, ontem,  da cerimonia onde Dilma Rousseff iria oficializar a nomeação de Nelson Barbosa, Alexandre Tombini e Joaquim Levy para administrar a área econômica  no segundo mandato causou mais estragos para fora do governo do que para dentro.
No fim do dia, Dilma deixou o Planalto para seguir em conversas de trabalho no Alvorada, quando foi vista embarcando num carro da comitiva presidencial em companhia de Joaquim Levy.

A cerimonia de posse, que estava prevista para o fim da tarde de sexta-feira, deve ocorrer na quinta-feira que vem, por um motivo que interessa tanto à presidente Dilma como aos convidados para formar a nova equipe.

O mal-estar com o Brasil


"O mal estar progressista acumula as dores do parto de uma nação várias vezes abortada na história. E mais uma vez agora na UTI, esmagada pelo cerco conservador.

Saul Leblon, Carta Maior

Não se confunda esse sentimento com a histeria de uma elite incomodada com a ascensão dos pobres no mercado e na cidadania. Esta se resolve  em um resort em Miami.

O mal estar progressista acumula as dores do parto de uma nação inúmeras vezes abortada na história. E mais uma vez agora na UTI, esmagada pelo cerco conservador, respirando por aparelhos.

A construção  inconclusa de que falava Celso Furtado  enfrenta um de seus  capítulos mais angustiante nas horas que correm.

A prostração é a pior sequela.

21 novembro 2014

Empresas investigadas na Lava Jato reportam doações a Serra, Aécio e Anastasia


Jornal GGN

"Eleito senador por São Paulo em outubro passado, José Serra (PSDB) figura na lista de políticos que mais receberam dinheiro das empreiteiras investigadas na Operação Lava Jato. No levantamento publicado pela Folha de S. Paulo nesta sexta-feira (21), Serra ocupa o terceiro lugar, tendo recebido R$ 1,2 milhão para sua campanha, segundo dados da Justiça Eleitoral. A OAS e a Odebrecht foram as principais responsáveis pelo montante.

No topo da lista está o senador Otto Alencar, do PSD da Bahia, com R$ 2,2 milhões doados pela OAS, Odebrecht e UTC. À frente de Serra está Alexandre Leite, deputado federal do DEM paulista, com R$ 1,9 milhão recebidos da Camargo Correa, Mendes Júnior, OAS e UTC.

O Senado procura Aécio Neves, o homem que propôs uma oposição “incansável”


, DCM

"Um espectro não ronda a política brasileira: o espectro do comparecimento de Aécio Neves ao trabalho.

O senador mineiro prometeu, terminada a eleição, fazer uma “oposição incansável, inquebrantável e intransigente” ao governo.

Da tribuna, fez um discurso empolgado, com apartes ridículos de sicofantas como o colega Magno Malta.

“Ainda que por uma pequena margem, o desejo da maioria dos brasileiros foi que nos mantivéssemos na oposição, e é isso que faremos. Vamos fiscalizar, cobrar, denunciar”, disse. “Nosso projeto para o Brasil continua mais vivo do que nunca”. Falou por 30 minutos para um plenário e galerias lotados.

“Nunca se roubou tão pouco”, diz empresário tucano

Ricardo Kotscho, Balaio do Kotscho

"Kotscho, espero que tenha feito boa viagem. Quando voltar a postar, nos brinde com um relato de viagem, certo?".

O pedido acima é do leitor Cláudio Freire e me foi enviado nesta quinta-feira, às 13h14, mal havia entrado em casa após uma breve viagem à Itália. Bem que eu gostaria de atender à sugestão do leitor, mas, a esta altura, já tinham me pedido para escrever sobre a morte de Márcio Thomas Bastos (ver post anterior). Os fatos não marcam hora e costumam fugir do nosso controle, não deixam a gente mudar de assunto.

Minha pauta obrigatória hoje, dia 21 de novembro de 2014, seria escrever sobre a interminável novela da nomeação do novo ministro da Fazenda pela presidente reeleita Dilma Rousseff. Até já falei sobre isso na noite anterior no Jornal da Record News.

Baiano diz que iniciou negócios na Petrobras no governo FHC


"O empresário Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de corrupção na Petrobras, disse à Polícia Federal nesta sexta (21), que começou a fazer negócios com a estatal ainda no governo de Fernando Henrique Cardoso (PSDB), no início da década passada; "Por volta do ano de 2000, ainda durante a gestão Fernando Henrique celebrou um contrato com uma empresa espanhola, de nome Union Fenosa, visando a gestão de manutenção de termelétricas", disse; FHC não quis se pronunciar sobre o fato

Brasil 247

O empresário Fernando Antonio Falcão Soares, o Fernando Baiano, apontado como operador do PMDB no esquema de propinas e corrupção na Petrobras, disse à Polícia Federal nesta sexta-feira (21), que começou a fazer negócios com a estatal ainda no governo Fernando Henrique Cardoso, em 2000. "Por volta do ano de 2000, ainda durante a gestão Fernando Henrique celebrou um contrato com uma empresa espanhola, de nome Union Fenosa, visando a gestão de manutenção de termelétricas", disse.

Charge do Bessinha


Como ser tucano sem ser hipócrita: um texto para a história


Fernando Brito, Tijolaço 

"O empresário Ricardo Semler, que ficou nacionalmente conhecido com seu best-seller “Virando a própria mesa – uma história de sucesso empresarial Made in Brazil”, escreve hoje, na Folha, o melhor texto que já li sobre o escândalo da Operação Lava-Jato.

Semler esclarece logo que não é petista, mas tucano, filiado ao partido por nada mais que gente como Montoro, Covas, Serra e FHC. E que votou contra Dilma.

Tem suas convicções neoliberais, certamente, mas não é um cínico.

E diz com todas as letras que a corrupção nunca foi tão pequena no Brasil.

O que não é, claro, razão para tolerá-la ou para “deixar para lá” a roubalheira, mesmo que em escala melhor.

O governo a reboque da mídia


 Luciano Martins Costa, Observatório da Imprensa

"Mais um pouco, e o povo brasileiro, através da imprensa, estará pedindo desculpas às grandes empreiteiras e outros fornecedores de obras e serviços públicos. Pelo andar do noticiário e levando-se em conta alguns artigos plantados aqui e ali, tem-se a impressão de que a Petrobras é uma organização criminosa que achacou os pobres empreendedores com a ajuda de uma quadrilha de coletores de dinheiro.

O ponto de partida desse movimento é o advogado do lobista apontado como intermediário na distribuição de propinas milionárias. Na sua opinião, sem “composição ilícita”, ninguém consegue fazer negócios com o Estado, seja um complexo petroquímico ou um assentamento de paralelepípedos. O portador do discurso dos empresários corruptores ganhou destaque em todos os principais jornais – a Folha de S.Paulo ofertou quase uma página inteira para sua aleivosia.