29 janeiro 2015

Charge do Bessinha


A esquerda não controla o processo político. Deve, por isso, cuidar do que põe em marcha


Fernando Brito, Tijolaço

"No governo Fernando Henrique – e em todos os governos conservadores, exceto o de Collor, que serviu para barrar a esquerda, iniciar a privatização e, em seguida, foi defenestrado – o controle da política se fez não por uma amordaçamento direto da mídia, mas pela política do próprio sistema de comunicação, assim como fazia o Procurador-Geral Geraldo Brindeiro, “engavetar”, logo depois que estouravam, os escândalos políticos.

Sivam, Pasta Rosa, negociatas na privatização, compra de votos para a reeleição e uma montoeira de outras “bombas atômicas” foram, em prazo mais ou menos curto, desarmadas e relegadas ao armário dos guardados, depois de uma, outra ou meia-dúzia de matérias, muitas delas boas reportagens, admita-se.

Mas num governo do campo popular  (e por isso um inimigo para a mídia e para boa parte da elite judicial e parajudicial – ou alguém duvida que estes segmentos, privilegiados em meio à nossa pobreza, tendam ao conservadorismo?) tudo é diferente.

Rossetto diz a blogueiros que medidas estão sendo negociadas

Batalha da comunicação: Rossetto reúne blogueiros, dissonantes da imprensa comercial e influentes na esquerda
"Em conversa com blogueiros, ministro reafirma argumentos do Executivo. Jornalistas veem iniciativa do encontro como positiva, mas se desapontam com falta de novidades. Barbosa rejeita recuo do governo

Hylda Cavalcanti, da RBA

O ministro Miguel Rossetto, da Secretaria-Geral da Presidência da República, afirmou hoje (29) que governo e movimentos sociais têm o desafio de mostrar maturidade no relacionamento que vem sendo formado ao longo dos anos. A declaração foi uma referência clara à controvérsia em torno das medidas de aperto fiscal, mudanças no acesso a direitos sociais, aumento de juros e de tributos.

Para os setores de esquerda, que atuaram pela reeleição de Dilma Rousseff, as 'medidas corretivas' adotadas sob orientação do ministro da Fazenda, Joaquim Levy, são uma recaída neoliberal e contradizem as diferenças de projetos confrontados na eleição. Ao reunir jornalistas e blogueiros com influência nos setores de esquerda, o ministro dá andamento ao que a presidenta chamou de "batalha da comunicação".

Escolas fechadas, fuga da cidade, caminhões-pipa…: o cenário possível de São Paulo sem água


Afonso Capelas Jr., DCM

"Paulistas e paulistanos estão perdendo a compostura. No início da semana moradores de um condomínio modesto da zona Sul da cidade foram flagrados por vizinhos aproveitando uma chuva torrencial para sair à rua e tomar banho.

Em entrevista a uma rádio uma vizinha declarou, estarrecida, que eles não dispõem de caixas d’água no prédio. Em outro ponto da capital muitos captavam a água que jorrava aos borbotões no meio fio da calçada para abastecer suas casas.

O cenário sombrio de uma possível seca generalizada na Região Metropolitana tem feito com que a população fique atormentada e com muito medo do que vem pela frente.

Vídeo: a conexão Cerra, Cunha, Moro e Globo

"Dilma, precisa desenhar?

Paulo Henrique Amorim, Conversa Afiada 
 

UTC sugere que Moro alivia para Odebrecht e Andrade


"Apontado como chefe do "clube da propina", o empreiteiro Ricardo Pessoa, da UTC Engenharia, questiona porque duas das maiores construtoras do País, a Odebrecht, de Marcelo Odebrecht, e a Andrade Gutierrez, de Otávio Azevedo, vêm sendo poupadas pelo juiz Sergio Moro, que conduz a Operação Lava Jato; "A denúncia sustenta que a dita organização criminosa era constituída, entre outras empreiteiras, pela Odebrecht e Andrade Gutierrez. Ocorre que não se vê nenhum controlador ou mesmo executivo destas empresas no polo passivo desta ação penal", diz trecho de sua defesa; a questão é, de fato, intrigante; Paulo Roberto Costa confessou ter recebido R$ 59 milhões da Odebrecht, naquela que foi a maior de todas as propinas já descobertas no País; a Andrade, além de sócia da Cemig, num acordo costurado pelo PSDB-MG, é a empreiteira mais ligada ao lobista Fernando Baiano

Brasil 247

A defesa do empreiteiro Ricardo Pessoa, dono da UTC Engenharia, que vem sendo apontado como chefe do "clube da propina", questiona, indiretamente, a lisura do juiz Sergio Moro. O motivo é o fato de duas das maiores empreiteiras do País, a Odebrecht e a Andrade Gutierrez, não terem sofrido qualquer tipo de punição no âmbito da Operação Lava Jato.
 
"A denúncia sustenta que a dita organização criminosa era constituída, entre outras empreiteiras, pela Odebrecht e Andrade Gutierrez. Ocorre que não se vê nenhum controlador ou mesmo executivo destas empresas no polo passivo desta ação penal", diz trecho do documento, assinado pelo advogado Alberto Zacharias Toron.

Charge do Bessinha


Os custos políticos da Lava Jato


"Além de prejudicar investimentos e o próprio PIB, a operação afeta a gestão política do governo

Tereza Cruvinel, Blog: Tereza Cruvinel

Se a Operação Lava Jato pode prejudicar investimentos e até o PIB de 2015, conforme noticiou o portal 247, com base em projeção da Consultoria Tendências, não menos grave começa a ser o impacto das investigações sobre a agenda política do ano e sobre a articulação parlamentar do Governo Dilma.

Privado de qualquer informação confiável sobre os políticos que serão denunciados em fevereiro pelo Procurador-Geral da República ao STF, por envolvimento com o esquema de corrupção na Petrobrás, o Palácio do Planalto vê-se impedido de montar seu “escalão de confiança” no Congresso.  O que avança é o que não pode ser controlado pelo governo, a disputa pelas presidências da Câmara e do Senado.

Dilma, um e dois

Dilma inicia o segundo mandato consciente de que precisa alterar as expectativas a respeito da economia
'As pesquisas confirmam que somente a economia foi o ponto vulnerável do primeiro mandato 

Marcos Coimbra, CartaCapital

O maior sucesso das oposições ao longo do primeiro governo Dilma Rousseff (e, talvez, o único realmente significativo) foi a destruição da imagem da política econômica.

Todas elas dedicaram-se a promovê-la, desde os partidos aos líderes empresariais, no Brasil e no exterior. Mas a ponta de lança, como de costume, foi o establishment midiático. Mais que os políticos de oposição, mais que os porta-vozes do empresariado, quem mais golpeou a condução da política econômica, mais se entristeceu com os sucessos alcançados e mais se alegrou com os fracassos foi a imprensa antipetista.

Não que fosse seu único alvo. Dilma, o governo e o PT passaram dois anos sob tiroteio cruzado, destinado a enfraquecê-los e derrotá-los na eleição. Mas, em todos os fronts, salvo nas questões econômicas, as oposições obtiveram resultados magros.

Desemprego é o menor da História


 Do IBGE

"Em dezembro de 2014, a taxa de desocupação foi estimada em 4,3%, repetindo o percentual de dezembro de 2013 e mantendo o menor nível de toda a série histórica da PME. Em novembro de 2014, a taxa fora de 4,8%. Já a taxa de desocupação média de janeiro a dezembro de 2014 foi estimada em 4,8% (a menor da série), contra 5,4% em 2013. Em relação a 2003 (12,4%), a redução chegou a 7,5 pontos percentuais.

Em 2014, a média anual da população desocupada foi estimada em e 1,176 milhão de pessoas desocupadas, contingente 54,9% menor que o de 2003 (2,608 milhões) e 10,8% abaixo da média de 2013 (1,318 milhão). Em dezembro de 2014, a população desocupada nas seis regiões pesquisadas (1,051 milhão) recuou 11,8% em relação a novembro (1,192 milhão) e 0,9% contra dezembro de 2013 (1,061 milhão).

A média anual da população ocupada nas seis regiões pesquisadas em 2014 foi estimada em 23,087 milhões de pessoas, recuando 0,1% em relação a 2013, quando este contingente era de 23,116 milhões. Em dezembro de 2014, a população ocupada nas seis regiões pesquisadas chegou a 23,224 milhões, recuando 0,7% em relação a novembro e ficando estatisticamente estável (0,5%) frente a dezembro de 2013.

Sobre o “nojo” a meninos negros e pobres e a covardia de uma elite vazia

(Imagem: Pragmatismo Político)
"Marginalzinho: a socialização de uma elite vazia e covarde. Parada em um sinal de trânsito, uma cena capturou minha atenção e me fez pensar como, ao longo da vida, a segregação da sociedade brasileira nos bestializa

 Rosana Pinheiro-Machado, Carta Capital / Pragmatismo Político

Era a largada de duas escolas que estavam situadas uma do lado da outra, separadas por um muro altíssimo de uma delas. Da escola pública saíam crianças correndo, brincando e falando alto. A maioria estava desacompanhada e dirigia-se ao ponto de ônibus da grande avenida, que terminaria nas periferias. Era uma massa escura, especialmente quando contrastada com a massa mais clara que saia da escola particular do lado: crianças brancas, de mãos dadas com os pais, babás ou seguranças, caminhando duramente em direção à fila de caminhonetes. Lado a lado, os dois grupos não se misturavam. Cada um sabia exatamente seu lugar. Desde muito pequenas, aquelas crianças tinham literalmente incorporado a segregação à brasileira, que se caracteriza pela mistura única entre o sistema de apartheid racial e o de castas de classes. Os corpos domesticados revelavam o triste processo de socialização ao desprezo, que tende a só piorar na vida adulta.

Serra aposta na queda de Dilma como Jânio e Jango


"Senador tucano aposta que presidente Dilma Rousseff não vai concluir o mandato; segundo ele, há um completo desgoverno, agravado pela crise econômica e pelas denúncias de corrupção; ele compara ambiente atual aos vividos por Jânio Quadros (PTN) e João Goulart (PTB), eleitos presidente e vice no pleito de 1960

Brasil 247

Para o senador tucano José Serra, a presidente Dilma Rousseff não vai concluir o mandato. Segundo nota do colunista Ilimar Franco, nas reuniões internas do partido, ele tem avaliado que há um completo desgoverno, agravado pela crise econômica e pelas denúncias de corrupção.

Serra compara o ambiente atual aos vividos por Jânio Quadros (PTN) e João Goulart (PTB), eleitos presidente e vice no pleito de 1960. Candidato por um partido nanico, com o apoio da UDN, Jânio renunciou em agosto de 1961, com menos de um ano de mandato. Goulart, que assumiu o cargo vago, foi destituído por um golpe militar em março de 1964, que gerou no país uma ditadura militar que só teve fim em 1985."

28 janeiro 2015

Impostos são o preço que se paga por uma sociedade civilizada

Escola na Suécia: tudo gratuito e acesso universal
Claudia Wallin, DCM

"Em sueco, a palavra ”skatt” tem dois significados, que no juízo apressado de um forasteiro podem parecer conceitos tão distantes entre si como o céu e o inferno: ”impostos” e ”tesouro”.

Mas como qualquer espantado alienígena constata ao chegar à Suécia, o termo ”impostos” tem por aqui uma conotação visceralmente positiva. Na lógica da maioria dos suecos, assim como dos demais povos da Escandinávia, os tributos são o preço justo que se paga por uma sociedade mais humana, igualitária e harmônica – e por isso menos violenta. Mesmo quando se cobra, como é o caso escandinavo, um dos impostos mais elevados do planeta.

O pensamento escandinavo é uma esfinge de enigma quase indecifrável para muitos povos. A começar pelos seguidores do credo americano de que, quanto mais baixos os impostos, melhor.

Charge do Bessinha


Como o MP tentou impedir a tragédia e o governo Alckmin não deixou


"Há mais de um ano, um núcleo do Ministério Público acompanha o cenário do abastecimento na região. Não pedem muito, apenas a recuperação do sistema.

Patricia Faermann, GGN

Protocolada em setembro de 2014, uma ação civil pública do Ministério Público Federal e do Ministério Público do Estado de São Paulo, contra a Sabesp, a ANA (Agência Nacional de Águas) e o DAEE (Departamento de Águas e Energia Elétrica), permanece sem julgamento. O trabalho do MP, que já completa um ano e meio, continua a enfrentar resistências na Justiça.

A ação, que apresentou o cenário trágico do sistema de abastecimento da região metropolitana de São Paulo, sobretudo do sistema Cantareira, foi recebida em outubro do último ano, com resultado positivo: a Justiça Federal de Piracicaba, que julgou o caso, obrigou a Sabesp e demais órgãos a cumprirem uma série de medidas que evitassem a degradação ainda maior do sistema hídrico, com vistas a permitir a recuperação das águas um dia.

JN amordaça oposição a Alckmin ao noticiar crise hídrica em SP


Eduardo Guimarães, Blog da Cidadania

"Quando o Jornal Nacional noticia alguma suposta deficiência do governo federal, certas figurinhas carimbadas da oposição a esse governo têm espaço garantido para criticá-lo. Álvaro Dias (PSDB-PR) ou Agripino Maia (DEM-RN) já se tornaram figuras familiares para boa parte dos brasileiros devido à grande exposição que têm naquele telejornal cotidianamente.

O assunto pode ser o escândalo na Petrobrás, a suposta crise de energia elétrica no país, o baixo crescimento da economia, a inflação, seja lá o que for que o JN – e congêneres – noticiar sobre problemas de responsabilidade do governo federal, lá estará algum oposicionista – de preferência, os dois supracitados – para acusar Dilma, hoje, assim como fazia com Lula, ontem.

Nesta terça-feira 27, porém, a matéria do Jornal Nacional sobre a crise hídrica em SP mais do que justificaria que a oposição ao governo do Estado fosse chamada a opinar sobre o assunto, assim como a oposição a Dilma é chamada a comentar problemas que dizem respeito ao governo dela, como os citados no parágrafo anterior. Porém, como de costume, não rolou."
Matéria Completa, ::AQUI::

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